No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, o CRBio-06 conversou com a Dra. Lucivana Mourão (CRBio 119562/06-D), Bióloga, Especialista em Genética pelo CRBio-06 e professora de Genética Humana da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Com graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mestrado em Genética e Evolução pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), doutorado em Biotecnologia, com tese em Genética Humana, pela Rede BIONORTE/AM, e especialização em Educação na Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sua trajetória integra pesquisa, ensino e atuação em aconselhamento genético.
Confira a entrevista completa:
1. Quando você percebeu que queria trabalhar com Genética Humana?
Desde a graduação, meu interesse pela Genética Humana já era evidente. Compreender os processos biológicos que dão origem às doenças genéticas sempre me fascinou. As disciplinas de biologia molecular e suas aplicações na saúde despertaram ainda mais minha curiosidade e reforçaram minha paixão por essa área
2. Para quem não é da área: o que faz uma geneticista clínica no dia a dia?
O geneticista clínico pode atuar desde a pesquisa até o atendimento a pessoas com doenças genéticas e seus familiares. Na pesquisa atuamos na compreensão das alterações genéticas e o impacto nos processos fisiológicos que culminam nas doenças genéticas. Essa compreensão é essencial para a aplicação do conhecimento seja no diagnóstico com testes genéticos ou farmacológicos buscando alvos terapêuticos assertivos no tratamento e melhora na qualidade de vida. Frente ao paciente o geneticista clínico atua no aconselhamento genético, um processo de compreensão sobre o impacto das alterações genética na vida da pessoa e seus familiares, desde entender a etiologia (Por que isso aconteceu comigo? Por que meu filho tem essa doença?) até a hereditariedade, verificando-se riscos genéticos em familiares próximos, nas próximas gerações e e estratégias de planejamento familiar.
3. Como o aconselhamento genético pode transformar a vida de um paciente e da família?
O aconselhamento genético oferece diversas contribuições importantes. Ao compreender os aspectos genéticos de uma doença, a pessoa passa a entender também o processo biológico que a envolve. Essa compreensão favorece a aceitação e orienta na busca por estratégias de tratamento e por uma melhor qualidade de vida.
Outro benefício fundamental é o entendimento dos riscos genéticos, permitindo um planejamento adequado — especialmente no planejamento familiar. Em doenças complexas, o aconselhamento genético ajuda a identificar o histórico genético familiar e a adotar mudanças de hábitos que podem prevenir ou retardar o surgimento da doença.
Além disso, testes genéticos podem indicar riscos futuros, possibilitando intervenções preventivas e auxiliando no planejamento de saúde ao longo da vida. Em essência, o aconselhamento genético oferece o conhecimento necessário para tomar decisões conscientes e bem informadas. E conhecimento é poder — esse é o ponto central.
4. Qual é o maior desafio de trabalhar com Genética na prática clínica hoje?
Como bióloga, o maior desafio na Genética Clínica é quebrar o estereótipo de que o biólogo só trabalha com animais e plantas. O biólogo estuda a vida em toda a sua dimensão, incluindo os humanos. É o profissional com habilidade técnica, que por meio de uma pós graduação, pode contribuir com a genética clínica em todas as suas frentes, seja no ensino, no laboratório ou no atendimento de pacientes.
5. Que mensagem você deixa para meninas que sonham em seguir carreira na ciência e na saúde?
Seguir carreira na ciência e na saúde é uma jornada fascinante, repleta de descobertas e crescimento. É um caminho que exige disciplina, curiosidade, capacidade de interpretar o mundo ao redor, resiliência e dedicação contínua aos estudos. Planeje seus passos, busque aprender sempre além da sala de aula e invista em qualificação e experiências que ampliem sua visão. Lembre-se: uma pesquisadora se forma não apenas com o que aprende nos livros, mas também com a vivência, a prática e a coragem de questionar e explorar o novo. Acredite no seu potencial e siga em frente. Aproveite todas as oportunidades seja para aprender algo novo, para se desafiar, para conhecer pessoas. São essas oportunidades que fazem a diferença na carreira científica.
CRBio-06 — Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência